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actualização: 13 de Fevereiro
O polícia Senhor
prata. Eu
não sei dizer ou imaginar o destino Do
musgo nos seus pés ou do orvalho no seu casaco. No
entanto pressinto em si a arma De
que se pretendiam munir, Quer
as florestas negras Ou
a cidades sobrelotadas, cheias de manchas E
nódoas,
Longínquas
de uma inocência pacífica. I Lá
longe no tempo, naquela linha difícil de Definir, Havia
eu e algumas coisas que se Enterraram
na neve com o passar dos anos e das Tempestades
– também sei que pouco me falta, Mas
entre as coisas um bosque emergia de importante, Sepultado
num vale de fausto entre os cumes De
inverno e a transcendência. “senhor
prata, eu não sei dizer ou imaginar O
destino do musgo nos seus pés Ou
do orvalho no seu casaco gasto” Precisamente
atrás da única fonte, cuja boca Esverdeada
olhava para norte, há uma campa de granito. Os
animais não se aproximam, e a erva cresce Rasteira,
raquítica. Tudo isto numa clareira roçada Pelo
inútil, demasiado grande para ser igual ás outras, Sem
nunca sentir o calor do sol durante o dia. Uma
mulher – os homens são por vezes Recriminados
pelos seus gostos – Parecera-lhe
no inverno extremamente bela, E
banal o resto do ano. “Apercebera-se
disso cedo; cedo também lera manfred
gregor, e entristecera-se com o vento, -
os rios de sangue também trespassam o
coração da floresta negra – Não
é comum para a velha Maria, Ser
tratada de bruxa; não se importa Obviamente:
“ As tuas armas são os ramos Das
árvores” dizia, quando lhe levava Comida
e um livro, envoltos em trapos, Cheirando
a alecrim. Diz-me
meu filho, não são decerto Luas
futuras que queres desenterrar dos céus. Parece
te estranho que ninguém nas ruas, Te
retribua o olhar ou te imite o gesto. Até
as árvores negam gelar-se te. Nem
os cães param, ou abanam o rabo ao passares. Lembra-te
do mercador de sonhos. E da Tumba
vazia ou o cemitério não quedado entre vales. Um
ou dois enterros, alguns mortos e uma placa branca Nula
ao fim da viagem, que é nada. Alguém
soprou sobre as folhas suspensas. Aqui
estou , philipus, destruidor de gargalhadas. Tem
cuidado: aqui estar é momentâneo – Posso
estar aqui ou ali, noutro momento.
“
O chão é daquela terra de pinheiros nados
mortos, de argila dormindo com pinhões, e
arbustos suaves” -
Tem cuidado. Há carícias no senso que se Prolongam
à morte, e sozinhas cavam Carateras
cheiras de morte. “mas
não te preocupes, ouvi dizer, adivinho demasiado Enquanto
rodava a maçaneta de volfrâmio Com
uma mão atrás das costas; com a outra afastei os ramos das árvores que
cobriam a gruta. A
tua solidão e a minha solidão são espelhos Em
que nos intervalamos Em
infinito e infinitesimal. Podemos
e devemos descortinar o decaimento, No entanto todos os homens ressentemO
passado, que desconstrõem e arrefecem, Por
isso tal não é de grande importância. As
portadas abertas para o bosque a entrar No
quarto quente. Sem becos ou ruas escuras E
conspiradoras. Ao longe chaminés enfurecidas, Tossem
o que lhes vai na alma. Oh
audácia que te corre nas veias. Desertos
virão. Serás aridez. De
joelhos li a inscrição da pedra tumular: Não
estou aqui, não o acreditem; A
erva parece tão velha mas luminosa. O
resto o verdejar cobriu e se apoderou. -
e eu não sujo as mãos pelos mortos, talvez
pelos injustamente mortos. -
duas voltas completas encerram a claridade, já
não há sol para as folhas encobrirem. Apenas
valas comuns e escuridão. II -
O projectista é uma miragem: -
Um pseudópode acena me: Oh
merda, se o desprazer é assim tanto Sai.
Sim, fico bem. Manhã.
Tarde. Noite. Amanhã, Os
doces plátanos sorriem junto à ribeira. Na
água brilham de sol os seixos da terra. Um
degrau. O governador jaz morto no chão. E se Não
fosse a bala na nuca, teria esticado o pernil De
pneumonia ou enfarte do miocárdio. Pela
avenida António Miguel solestício. Pela
rua Sá de Castanhede, junto ao café restaurante Lima. -
caminha durante muito tempo. junto
ao café restaurante Lima, há
uma entrada de metropolitano, com
um pequeno caixote de lixo da Câmara logo
ali à direita. Propaganda
esconde as paredes e os gritos Pela
mudança. oh Porque ela humilha. Senta-te
incómodo numa saliência Do
muro, e observa: o mar mas não o verdadeiro. O
destroço à deriva. O
peixe à mercê - o tormento dos corpos. Receio
que não haja a solução pretendida: Apenas
a solução receada. E teremos que escolhe-la. Segui-la.
asfixiarmo-nos nela. O
cadáver sentado ao meu lado, dizendo anedotas. As
ervas riem-se os rostos contorcem-se, Desumanizam-se. Não
sabem distinguir o metro das sarjetas. Não Entendem
que as coisas lá por baixo correm muito Melhor,
que o cheiro não é tão nauseabundo Como
proclamam, que o ambiente não é tão soturno Como
dizem, usando palavras caras E
perfume de ervas de petróleo.
O
mar é o lugar do arrependimento, Nem
é mar, é uma palavra, Gasta
pelo tempo. Como
um baldio que só a eternidade lavra. “este
contrair e distender de lixo é o meu coração a bater e a sua
empresa.” III Catatonia,
meu amor ou a luta de perspectivas. ...o
cheiro a tubo plástificado louça de encardida
esponjosidade dentro de mim dentro
de ti eu como eu levo às bocas resguardadas
a
nutritividade e a sobrevivência
“pegares
no maço de tabaco é puxares de um punhal e
com ele me ameaçares: pões um dedo primeiro, prospector,
previdente, sob o pequeno paralelepípedo revestido
de uma tanga de plástico, que o
suspiro cutâneo logo embacia. A mão com toda
a força toda arrebata-o com frieza. -
vejo frieza em toda a parte, sinto frio.” Rosy
é uma laranja disforme disfarçada de Enfermeira
cozinheira põe-em-tudo-e-mais-alguma-coisa soro Não
não vejo não nenhum inconveniente O
seu hálito é tétrico e relembra um recife de Emoções
impróprias para retrocessos e ela é apenas Um
quadro um quadro só que não distingo a moldura do quarto Mas
vejo o cordel que está só preso A
nada e que a segura – momento angular “agridoce
é a cor do sol na minha terra no meu espaço estranho
só o pó da luz se depositasse eu ficava
para trás para trás sacudindo-a dos
sapatos e do cabelo “ o teu olhar é distante como o de um cão louco,
mas tu olhas-me pela parede como
se eu fosse um microscópio, e de mim só te retirasses
em introspecção” pasmo
de borboleta por vezes esta afasta o mosquiteiro para
cheirar a perversidade e se satisfazer. Ai
eu quero que a parede deixe de me olhar Assim
lá há um ponto que não vale nada e é só Meu
“ não, não sinto frio, não sinto é nada” IV Estou
sentado. A
cadeira é incómoda e o coccix já se queixa. “o
fenómeno” um pequeno formigueiro faz-me contrair
toda a perna. As gotas de suor na areia, lagos indesejados, má
fortuna. Na semana passada fui a um festival de musica
sacra. “transcende o fenótipo” O fervor típico trepou-me à cabeça. Cacto.
A cinco metros, mais metro menos metro, Um
cacto esconde-me o sol . eclipse do sol e do cacto. Faço
cara e olho desconfiado. Não há pirâmides Ou
mausoléus. Nem oásis de imperfeições. O
meu colarinho está sujo e eu estou morto De
Cansaço Morro
lentamente de cansaço E
o calor lentamente De
suor mata-me Lentamente Eternamente
só. V Mercador
de sonhos Na
noite seguinte à primeira, Aventurei-me
na mata obscurecida, Não
sei bem Porquê, Porque
a noite só é sórdida e o vento ouve-se E
a chuva sente-se, nada que Não
se aguente, O
que eu não aguento é a solidão da clareira Das
árvores À volta e das estrelas Talvez,
talvez o corredor leve a algum sítio Coerente, E
nós? Sonhos pingam das rachas Das
pedras. Inicio a negociação: O
sangue desfaz-se em pesadelos. Através
do vidro, sem óculos, só consigo discernir aureolas várias no lugar de
pontos luminosos, e vincadas a negro através da noite algumas arestas de
prédios, e algumas janelas faiscantes, e tudo isso mergulhando nas
sarjetas com a chuva de fim de ano. Na
estante ao lado, para o futuro recente Analyse Quantitative, e mesmo à
direita mais um volume do proust, e outros mil e tal que apodrecem, sem
antes expelirem uma vida inteira em pó e cinzas – marcas de cigarros de
há vinte anos – que sedimenta nos meus pulmões, e antes na minha
garganta, e antes nos meus olhos chorosos e míopes, displicentes. Espero-me aqui. Um visitante inesperado deverá recriar-se nesta mesma sala, e insurgir-se por instintos perigosos contra a passividade. Vestirá um portentoso e indescritível fato de fazenda cor de caqui relembrando um soldado soviético que olha as ruínas do Reightstag pela primeira vez, e pela última vez, e uma cicatriz na têmpora direita latejará ás 10 da noite, e ás 11 da noite continuará a latejar, prosseguindo em profunda crispação. I meant what i said e referi igualmente que o receio latente e, não o neguemos, existente, de que a realidade pode emergir de um plano de estados inertes para uma fábula de inconsequentes conclusões e actos,.. é infelizmente justificável, e deverá ser enfrentado com um epicurismo radical. Deveria revestir os meus ditos de mármore azul claro, e esquecer-me. Espero-me aqui. Um visitante inesperado deverá recriar-se nesta mesma sala, e insurgir-se por instintos perigosos contra a passividade. Entrará pela única porta da sala, que está sempre aberta, placada por um pequeno suporte que ampara uma coluna de som, e dará vários passos sonoros, coordenados com subtis movimentos oculares, observadores, até chegar junto da janela, e tocar, como quem teme um ardor secreto no metal frio, na maçaneta. Ao ser aberta, através dela passa sem tempo definido uma lógica aragem, e com ela umas incómodas gotículas, e deveria ser visto o desconjuntar do penteado, o rebeliar d´algumas madeixas, algumas cãs, mas o sólido cadáver permanece coeso, olhando a imensidão da noite através das abismais covas. Os carros passam. Algures entre o espaço compreendido pelo carro parado imóvel inerte e o cadáver, existe, encoberto pela neblina e o fumo, pela óptica conveniente das luzes convergentes, um cubículo de quadrados minúsculos de quadrados minúsculos de ar. O cadáver é um soldado soviético vestido com um fato de fazenda cor de caqui. O cubículo permanece onde está, e magnifica, engolindo a cicatriz do cadáver, presente no osso seco. Espero-me aqui. A luz do candeeiro semi-ilumina a sala. Uma televisão faz o seu papel, um jornal ouve-se algures declamando as desgraças d´além. Um visitante inesperado deverá recriar-se nesta mesma sala, e insurgir-se por instintos perigosos contra a passividade. A repetição será a chave do seu lamento. A reformulação será o seu modus operandi. O disfarce o seu ser-nos. Espero-me aqui. A paisagem de mil homens de mãos dadas caminhando pela avenida. O vento gélido contrafeito, irritante, acasala com o medo, fazendo brotar do chão alcatroado - todas elas com seis pétalas azuis cien,- mil mulheres lágrimas.
No
fim da avenida, para desconhecimento dos caminhantes, o cemitério. Pelo
caminho, não se viram sinais ou tabuletas. É um dia chuvoso e cinzento,
cores e sabores que amortecem pelo ambiente, que adormecem nas raízes das
árvores, que boiam no meio das poças da avenida. Um polícia montado
caminha na direcção contrária, olhando para trás de tempos a tempos.
Um casco estilhaça o horizonte, que se reorganiza inexoravelmente,
dizendo ( através de um dos que se afasta da torrente): vi dias quentes,
no meu lar, na minha casa, onde no quintal os meus filhos brincavam,
quentes e alegres. Vi outras coisas, mas não as pretendo rever
especialmente. “Quando a tempestade suplantar o sopro, eu próprio
tratarei do meu destino.” As
árvores andam na direcção contrária. Estão sozinhos, sozinhos,
sozinhos. Espero-me aqui.
Toda a sala parece tremer, vibrar. A parede acende-se e
desmaterializa-se. Um cão espevita do seu berço; a mãe abocanhou-lhe o
cordão. O que resta do vermelho sangue em que se encontra, cedo duro e
rijo se acontece, e no chão longe, perdido, esquecido, logo arrefeceu. O
pequeno rafeiro passeia-se pela casa, deixando para trás um rasto de boa
disposição e alegria. Rói ossos, na marquise junto ao lixo. Chamava-se
Nunes... Espero-me aqui. Na planície, podemos esperar nada menos que uma
breve brisa de verão, assolando-nos os custados tórridos, enquanto
esmagamos a terra seca e enrugada. E caminharemos várias horas, rumo ao
infinito, rumo ao esquecimento, com paixão, confiantes e determinados. Os
Filhos caminharam dois passos atrás, transportando sacos de transtorno e
constrangimento. As mães cavam as suas covas, lá adiante, no vale, e
cavam-nas mais alargadas, pacientes.
A terra os comerá e nada permitirá emergir. Nenhum cão os roerá. Fear
death by water. Espero-me aqui. O sol vai alto e quente, bom. O seu calor penetra na sala, através do vidro, através da persiana, e aquece as extremidades dos objectos. Chega aos cantos mais obscurecidos, aos recantos mais esquecidos. Chega ao que resta do andar. Sinto uma vertigem imensa um medo uma sensação terrível de irresistível leveza sinto-me ir para baixo com a casa com o espaço com os tijolos com os raios solares a marcarem os níveis oblíquos que trespassam as paredes em queda sinto nada sinto a luz a não me servir de nada no meio do meu sangue perdido no meio do pó e cimento irrecuperável sinto a cova de cimento armado sinto a campa de escombros e poeira sinto-me à espera aqui. O
cadáver põe a mão no meu ombro. Sussurra
algo sobre o amanhã. Oiço os seus dentes A
cortar o silêncio.
O
miúdo fechou os olhos e esboçou Um
sorriso. :
O que me ofereces a mim não traz nada a mim O
que me queres dar outros se negam A
mim dar e aceitar de mim O
que me ofereces tu, decididamente?, Penso
talvez que o homem é uma cidade E
que a tua não vê a luz Do
dia há algum tempo. A
tua melancolia é uma delícia. O teu sangue inútil. O
deserto não é lugar para a desafeição. Talvez
não haja desertos, clareiras ou estrelas Apenas
desafeição. O
meu espelho mente demasiado. Vejo-me Com
carne, vivo. Os
lábios roxos e o corpo Desnudado
vibram. Cabelos entre mortos E
vivos. E
isto tudo num cubículo sem sanita Ou
lava pés. “cuidado” A
cama não me segura. O medo não me segura. Não
há medo;
A
tua mente: dissecada -
ovo podre. À
cadeira espera-se, mas não vem ninguém. E
isto tudo num deserto sonegado. “temos
que ter fé: a embaixatriz salvar-nos-á e irá
para a cama, oferecendo-se, jarros de pétalas, rosas;
“ meu desaparecer uma surpresa, tenho,
desculpai, que lamentar o meu desaparecimento” VI Andamento
taciturno. O
andamento taciturno dos homens musicais No
pontão ao mar gretado de aparências Saltitante
em inquieta permanência Ao
sol quis o espelho que a luz não me deu E
ceguei-me Desprotegido
de fardos e complacências O
andamento taciturno dos homens musicais Ao
longo do cais de mar gelado em discrepâncias As
ondas incólumes à solidão das ânforas. O
boiar plausível mas no nevoeiro disperso De
mil mapas e tratados de memória O
emblema da sorte crispado de tempestade Alcança
e remete para o cansar das distâncias O
andamento taciturno dos homens Levados
pelas ganâncias O
metrónomo apodrece carcomido pelo sal Displicente É
a esta a paz que deus trouxe à terra E
ás suas correntes humanas É
esta suspeição prolixa que se esquece No
fundo dos abismos
Sob
destroços de ânforas Sob
o cemitério sinfónico é o fagote de metal Enferrujado
pelo éter estragado Que
relembra O
prazer inexplicável da primeira sortida ao fundamento Hoje
quer-se o amanhã clonado em distanciamento Pleno
mas inócuo Diz
pergunta sobre a catarse do marinheiro e Reacredita
o seguinte que o que vem atrás de ti sabe Tanto
quanto o primeiro e aqui somos todos iguais Como
ninguém Ah
a lágrima que sugere um destino sugado pela imensidão Finalmente
surge sob a cara fria de vento Das
falésias Donde
vejo a seu lado o andamento taciturno Dos
homens musicais Inabitados
A
sua música é a prisão de areia Dentro
d´água É
o ser de monções que não desprega dos ilhéus Inabitados
de tudo excepto das sombras Deixadas
para trás ao relento E
o fim no fim parece a singularidade. VII Cair. Ao
regresso nada lhe ligo de bondade e respeito Pois
não fui justo ao desligar-me Da
jaula de cristal.
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